CONHECENDO O DOGGCRAPP TRAINING OU DCT – PARTE 9

ATENÇÃO: este artigo faz parte da coletânea: “TODOS OS MÉTODOS DE TREINO DO MUNDO”. Para maiores informações, acesse o link.

Fala rapaziada!
E chegamos ao final desta belíssima série, ou melhor, desta foderosa série sobre uma metodologia bastante intensa e destruidora chamada Doggcrapp training.

Para encerrar com chave de ouro, vamos falar sobre os exercícios aeróbios no contexto do DCT, assim como as desvantagens desta forma de treinamento. Boa leitura! 


CAPÍTULO 12:  SOBRE OS EXERCÍCIOS AERÓBIOS

Não temos muito o que conversar aqui pois o próprio autor diz ser um bocado complicado falar sobre aeróbios sem conhecer a pessoa. Em outras palavras, ele quer dizer que julga o assunto bastante particular, não sendo uma simples “receita de bolo”.

Bom, isso é verdade mesmo, mas para não passar em branco, vamos a alguns comentários:

Dante Trudel
Uma possibilidade, segundo Trudel, seria, para quem manda o DCT 3 vezes por semana, treinar aeróbios nos outros 4 dias (em todos ou em alguns). Diz ele que se mais marombeiros fizessem isso, não teríamos tantos caras parecendo lutadores de sumô ao final de um programa de OFFSEASON.

Uma sugestão que ele gosta seria o aeróbio logo pela manhã, através de uma caminha pela vizinhança ou na esteira. Porém, examinando as explicações e justificativas dele, vi que ele manda algumas cagadas...

O aeróbio em jejum é top? Sim, é o meu favorito, tenho inclusive uma série apenas sobre ele no site (clique AQUI). Porém, dado o nome, a brincadeira é executada ... hum... EM JEJUM! Aí o cara vai e recomenda que os clientes dele mandem “um scoop de proteínas em pó ou BCAA” antes do AEJ.

Fazendo isto, já se quebra a ideia de jejum, dado que se está fornecendo matérias-primas para serem utilizadas como fonte energética, no caso, os aminoácidos, que participarão do processo de gliconeogênese (clique AQUI para entender melhor essa polêmica). Resultado: maior catabolismo muscular e menor queima de gordura...
Voltando, Dante diz que não devemos nos preocupar com aquela máxima de que “não se deve fazer aeróbios quando o objetivo é construir músculos”. E isso é verdade mesmo, já que o que mais nos interesse são as calorias da dieta: se você ingere mais do que gasta, vai acabar ganhando peso, oras.
Além disso, um programa de treino aeróbio vem sempre para somar, haja vista que ele proporciona ótimas adaptações cardiovasculares (coisa que a musculação não faz), que melhoram a qualidade de vida. 

Um programa de aeróbios que ele curte é o seguinte:

- OFFSEASON: 0 a 2 vezes por semana
- PRE-CONTEST: todos os dias, exceto naqueles em que se treinam pernas.
DURAÇÃO: sempre 45 minutos. Caso o sujeito tenha atingido algum platô de perda de peso, poderá tentar 60 minutos.


CAPÍTULO 13: DESVANTAGENS DO MÉTODO DCT

Deixei este capítulo para o final pois, como todo o método já foi exposto, temos alguns subsídios para analisá-lo de forma crítica.

Eu experimentei o DCT no começo do ano de 2013 e achei bastante interessante. Fiz boas progressões em força, inclusive saindo da estagnação no supino reto com halteres e no supino inclinado, batendo recordes pessoais em apenas 2 semanas. Infelizmente, por conta de uma grave lesão no punho (que consegui trabalhando no meu jardim), fui obrigado a largar o método.

Tudo isto foi relatado neste link, inclusive que tive de fazer uma cirurgia tempos depois. Como a medicina atual continua sendo uma merda, mesmo com mais de um ano de pós-operatório, ainda não consigo chutar o pau nas cargas nos treinos, sendo assim, não pude voltar para o DCT e testá-lo por um longo período.

Bom, mas vamos ao que interessa: quais as desvantagens do DCT?

O primeiro ponto que eu gostaria de ressaltar refere-se à necessidade de um parceiro de treino. Sem um cara para te ajudar, ficará inviável fazer uma negativa super lenta em muitos exercícios, haja vista que você poderá travar e a positiva vai te mandar para o além. O pior de todos os problemas, sem dúvidas, está no supino...

O segundo problema refere-se ao fato de que nem todas as pessoas respondem bem ao baixo volume de treinamento, podendo não ter resultados interessantes. Eu, por exemplo, sou um adepto do alto volume e da alta intensidade. Tive bons resultados com o DCT, mas faltou um algo mais.

Talvez para você ele seja o ideal, ou quem sabe um lixo, mas isso só será descoberto testando na prática. Sendo assim, dê a cara a tapa, caso tenha interesse, e veja “qualé que é”.

A terceira desvantagem que listo é que o Doggcrapp não serve para iniciantes, intermediários ou avançados fanfarrões. Apenas marombas experientes com mais de três anos de intensa dedicação e seriedade poderão testar o método na prática, segundo Dante Trudel.

E concordo com ele. Se pegarmos um Zé ruela qualquer que vai ao ginásio por entretenimento, ele vai se machucar... Já no caso de um iniciante ou intermediário, estes não terão desenvolvido ganhos brutais de força e de experiência de treino (especialmente com alta intensidade), logo, não aproveitarão o melhor que o DCT tem a oferecer.



Meu conselho é que aproveitem esses primeiros anos, que são mágicos, haja vista que quase tudo que você faz na gym dá resultados, para se desenvolverem e treinarem como um powerbodybuilder, investindo bastante em cargas, mas visando à hipertrofia. Segundo Trudel, esta é a melhor coisa que você pode fazer.

O quarto problema do DCT refere-se à impossibilidade de se manter treinando caso se consiga uma lesão. Com vários métodos, como o GVT (LINK) ou 8x8 (LINK), você consegue driblar este problema, mas no Doggcrapp não... Fora o risco que você corre de piorar o caso...

Em quinto lugar, destaco os alongamentos extremos. Existe uma grande divergência na doutrina em relação a estes tipos de exercícios. Muitos acreditam serem prejudiciais se realizados antes, durante ou depois do treino, inclusive com estudos científicos comprovando o problema...

De qualquer maneira, Dante comprova a eficácia do método e acho que vale a pena arriscar. Tome apenas o devido cuidado de não exagerar no alongamento para não causar alguma lesão, inclusive uma ruptura.

O sexto ponto refere-se à ordem dos exercícios. Fica bastante complicado dar 100% num levantamento terra ou num agachamento livre no encerramento do treino, haja vista a sequência proposta por Trudel. Segundo ele, não há o que fazer. A divisão é intencional e visa a evitar que estes exercícios comprometam os posteriores.

De fato o argumento dele é válido. Imagine abrir o treino com um agachamento avassalador e depois ainda ter de treinar panturrilhas, femorais, bíceps e antebraços... A coisa não seria muito bem feita e o problema se agravaria.

Por fim, em sétimo lugar, destaco o diário de treino. “Porra, mas isso não é legal?!”. Claro que é! Eu sempre incentivo meus alunos a terem um, mas a maioria esmagadora ignora essa recomendação.

É justamente por isso que destaco esse tipo de registro como uma desvantagem: a maioria das pessoas não vai levar a sério a proposta e ou não vai fazê-lo, ou o fará nas coxas. Como o diário é uma das coisas mais importantes no DCT, o fanfarrão não vai evoluir adequadamente e vai desperdiçar tempo, além de sair por aí falando que o Doggcrapp é uma merda...
“Dante’s teachings have taken me to the next level. Most people hit plateaus, but this style of training is all about progress. If there’s a plateau, you move around it and keep going. It’s all about getting progressively stronger.” — David Henry

CAPÍTULO 14: CONCLUSÃO

E chegamos ao fim de mais uma série. Espero que tenham gostado do que foi discutido e aprendido um bocado sobre este peculiar método de treinamento de Dante Trudel, o Doggcrapp Training, ou DCT.

O autor acredita que só obteremos resultados satisfatórios se treinarmos o maior número de vezes possível num determinado espaço de tempo, utilizando técnicas de alta intensidade e cargas cada vez mais pesadas.

Para que isto seja viável, faz-se inteiramente necessária a utilização de um baixo volume de treino, fato que promoverá uma recuperação muscular mais rápida e deixará o marombeiro apto a um novo treino, com menos tempo de repouso. Nas palavras de Trudel: “TRAIN, RECOVER, GROW! TRAIN, RECOVER, GROW!” (treine, repouse, cresça!)

O programa clássico é dividido em duas partes, A e B, utilizando um exercício por grupo muscular. Ao iniciarmos o programa, deveremos escolher três exercícios para cada parte do corpo e ciclá-los a cada visita ao ginásio.

Além disso, algumas técnicas de alta intensidade, com destaque para o rest-pause e a widowmaker, são utilizadas para promover o maior desgaste muscular possível na set principal.

Nosso maior objetivo será nos superarmos a cada treino, seja pegando mais peso, seja fazendo mais repetições. Para não nos perdermos nos objetivos, faz-se necessária a manutenção e atualização de um diário de treino.

Ao final do trabalho de cada grupo muscular, devemos fazer um alongamento forçado para auxiliar na recuperação e na expansão da fáscia muscular.

Dante ainda dá várias dicas sobre nutrição e exercícios aeróbios para potencializarem os resultados do programa.


Ficamos por aqui. Até a próxima série da coletânea “Todos os Métodos de Treino do Mundo”!


ATENÇÃO: Essa série contém 9 partes. Continue a leitura acessando (clique nos números das partes para acessá-las): 

- PARTE 1: QUEM É DANTE TRUDEL: A HISTÓRIA DO DCT/ SOBRE O MÉTODO
- PARTE 2: QUAIS EXERCÍCIOS UTILIZAR?
- PARTE 3: ABDOME E TRAPÉZIO? COMO MELHOR APROVEITAR OS EXERCÍCIOS
- PARTE 4: TÉCNICAS DE ALTA INTENSIDADE: QUANDO E ONDE UTILIZAR?
- PARTE 5: EXTREME STRETCHING - OS ALONGAMENTOS EXTREMOS
- PARTE 6: COMO FAZER A DIVISÃO DE TREINO (SPLIT)?/ PERIODIZAÇÃO
- PARTE 7: EXEMPLO DE PROGRAMA DE TREINAMENTO DO DCT
- PARTE 8: DICAS DE NUTRIÇÃO E OS PROGRAMAS DE BULKING DE DANTE TRUDEL
- PARTE 9: SOBRE OS EXERCÍCIOS AERÓBIOS/ DESVANTAGENS DO ME´TODO DCT/ CONCLUSÃO



FERNANDO PAIOTTI
Personal Trainer e Consultor Online
CREF 151531-G/SP


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