A PRÉ-EXAUSTÃO PODE NÃO SER UMA BOA TÉCNICA PARA AUMENTAR RECRUTAMENTO MUSCULAR!


Fala galera!  No presente artigo, iremos discutir um assunto polêmico envolvendo uma famosa estratégia de alta intensidade: a pré-exaustão pode não ser uma boa técnica de alta intensidade para aumentar recrutamento muscular. Boa leitura e não se esqueçam de curtir e de compartilhar para ajudar na divulgação do meu trabalho!

PRÉ-EXAUSTÃO: PARA QUE SERVE?
A pré-exaustão é uma técnica popularmente utilizada para quem gosta de treinar em alta intensidade. A ideia por trás dela é a de utilizar, normalmente ao abrir o treino, um exercício monoarticular para um músculo grande, com o intuito de estressá-lo, porém, sem envolver de forma intensa grupos musculares auxiliares.

Após algumas séries, o indivíduo insere um exercício multiarticular encabeçado por este mesmo músculo alvo, conseguindo, assim, garantir que ele será estressado em demasia e antes de outros grupos auxiliares.

Tal prática surgiu pelo fato de se acreditar que músculos auxiliares, conhecidos por sinergistas ou agonistas secundários, terciários, etc., poderiam fadigar antes que o agonista primário o fizesse, de modo que ele não fosse totalmente estressado, perdendo-se, assim, qualidade de treino.

A título de exemplificação, temos a utilização do crucifixo reto, exercício monoarticular de adução horizontal pura, que trabalha peitoral maior com uma pitada de deltoide anterior e braços (bíceps e tríceps), antes do supino reto, exercício multiarticular com altíssimo trabalho de peito, tríceps e ombros.

O objetivo, conforme já mencionado, seria o de assegurar alto trabalho para peitoral antes que ombro e tríceps fadigassem e inviabilizassem a continuidade do exercício supino reto, caso este fosse utilizado em primeiro lugar.

PRÉ-EXAUSTÃO: É UMA TÉCNICA DE ALTA INTENSIDADE QUE VALE A PENA?
O trabalho que iremos discutir a partir de agora investigou a utilização da pré-exaustão em membros inferiores, através da combinação extensão de joelhos (cadeira extensora) + leg press, sendo o primeiro um monoarticular (cadeia cinética aberta), enquanto o segundo, multiarticular (cadeia cinética fechada).

Para a investigação, 17 homens saudáveis foram divididos em dois grupos, tendo um executado diretamente uma série de 10 repetições máximas (10RM) no leg press, enquanto o outro fez a mesma coisa, porém, tendo realizado previamente uma série de 10RM na cadeira extensora.

Segundo análise eletromiográfica (EMG), que mede recrutamento muscular, a atividade de reto femoral e vasto lateral foi menor no grupo da pré-exaustão durante o leg press. Para glúteo máximo não houve diferença alguma, fato já esperado uma vez que ele é extensor do quadril e não participa da extensão do joelho, movimento feito na cadeira extensora.

Por fim, foi verificado que os sujeitos da pré-exaustão não aguentaram realizar 10RM no leg press na sequência.

Com isto, os investigadores concluíram que, baseados nos resultados de sua pesquisa, o uso da pré-exaustão não é tão efetivo quanto se pensava para aumentar recrutamento muscular, comparado ao treinamento normal. Comparativamente, o uso da pré-exaustão trouxe efeitos desvantajosos, como queda de performance, de força e de atividade muscular.

PRÉ-EXAUSTÃO: MINHA OPINIÃO
O estudo apresentado foi interessante, porém, achei-o fraco em alguns aspectos: ele testou a pré-exaustão com apenas uma série de cada exercício, não mencionou se as pessoas eram treinadas em musculação há um tempo e baseou sua conclusão apenas no trabalho de membros inferiores.

Entendo que se o objetivo é ganhar força e performance no leg press, a utilização de uma cadeira extensora previamente pode ser maléfico, porém, se o efeito for apenas recrutamento muscular, o fato é que os dois exercícios o fizeram: um em maior grau e outro por mais tempo, sendo assim, aponto uma importante lacuna deixada por este estudo: vimos que agudamente, ou seja, durante a realização desses exercícios, a atividade eletromiográfica caiu na pré-exaustão, porém, cronicamente, ou seja, no longo prazo, isto iria impactar de forma positiva, neutra ou negativa nos ganhos de força, performance e hipertrofia?

Em outras palavras, o que estou ponde em xeque aqui é a repercussão prática deste achado: tudo bem que a EMG foi reduzida, mas isto vai prejudicar a hipertrofia do indivíduo? Afinal, ele não compensou com um volume maior de treino, com dois exercícios ao invés de um?!

Por outro lado, entendo que uma das vias da hipertrofia é carga e o uso da pré-exaustão limita a utilização de peso, restringindo-o ou limitando o número de repetições, fato que prejudica a EMG, a força produzida e a performance geral, informações estas que poderiam fazer com que o uso da pré-exaustão fosse ruim...

Sendo assim, encerramos a discussão de hoje cheios de dúvidas na cabeça. Foi um artigo que para responder uma pergunta, trouxe muitas mais e só deixou o leitor confuso, no entanto, é assim que a ciência funciona. Eu, particularmente, continuarei a usar e a prescrever exercícios com pré-exaustão, haja vista que precisamos de maiores respostas até podermos esboçar uma conclusão sólida, além disso, o conhecimento empírico da prática profissional também é importante e me mostra que a técnica é boa.

Espero que tenham gostado da forma como apresentei o tema. Até o próximo artigo!

BIBLIOGRAFIA
- Augustsson JThomeé RHörnstedt PLindblom JKarlsson JGrimby G. Effect of pre-exhaustion exercise on lower-extremity muscle activation during a leg press exercise. J Strength Cond Res. 2003 May;17(2):411-6.



FERNANDO PAIOTTI
Personal Trainer e Consultor Online
CREF 151531-G/SP



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